Choque Cultural
Entre uma pessoa e outra existe um abismo, aquilo que se pode chamar de “choque cultural”.
E isto existe entre as pessoas mais próximas, sejam elas mãe e filho, mãe e filha, marido e mulher, pai e filho, pai e filha, irmã e irmão, irmão e irmão, irmã e irmã, entre amigos, avós e netos, entre primos, entre tios e sobrinhos e assim por diante. Além do abismo que há entre as pessoas, há também um vale entre a própria pessoa e ela mesma, assim como entre cada pessoa e Deus.Esse “choque” é sentido quando você se dá conta de que não escolheu nem mãe, nem pai, não escolheu os irmãos ou irmãs, não escolheu ser filho único, não escolheu a própria família, não escolheu o lugar para nascer, e nem sequer escolheu a si mesmo, pessoa a qual você terá que conviver e “ralar” para conhecer.
Posto o problema, ponho a questão: como vamos aplainar esses vales? Como vamos aproximar esses abismos? Como vamos costurar esses remendos? Como vamos colar esses pedaços? Enfim, como vamos nos encontrar e como vamos encontrar ao outro?
Podemos dizer que para encontrar ao outro, precisamos fazer uma viagem ao seu encontro. Precisamos estar dispostos a ir ao seu encontro como também o outro deve estar disposto a nos receber. Aqui entra o conceito de hospitalidade.
Essa viagem pode demorar pouco, mas também pode demorar longos anos. Pode requerer muito esforço, idas e vindas, altos e baixos. Pode ter obstáculos ou não pelo caminho. Pode ter uma volta (ou rejeição). Pode até ter uma fuga...!
Porém, há algo que pode gerar a alegria dessa viagem, a alegria desse encontro. O que faz a diferença entre os relacionamentos é a presença de Deus. Deus entre as pessoas. Deus entre nós.
Deus é a linha de costura. Deus é a cola. Deus é a retroescavadeira que aplaina os montes e que aterra os vales. Deus é a solução de paz, de encontro, de união.
Como eu vou me aproximar de você? Só permitindo que Deus se insira em nosso vale, em nosso meio, em nosso abismo, entre mim e ti. Essa é a arte do encontro. Essa deve ser a disposição: eliminar a hostilidade e abraçar a hospitalidade.
Você está disposto a viajar em direção aos seus?
Saiba que a fuga é frustrante, a rejeição é desoladora, mas se não houver risco, não haverá jamais o encontro. Haverá somente isolamento e solidão.
A viagem até o encontro pode ser desgastante, pode ser demorada, mas quando acontecer, como disse Jesus: “ninguém tirará a sua alegria”!
Será jubiloso!
Iara Cristianny
